Sexta-feira, Fevereiro 28, 2003
Universo Sux

Chegar mais cedo pra aula (vou direto do trabalho para a USP) tem suas vantagens: os papos são hilários e a falta de assunto leva a assuntos toscos.. mas muito sérios. :oD

Um dia especulamos: (Diálogo 1)
Eu: - Dizem que somos a elite intelectual do país...
AL: - Nós?! De onde tiraram essa idéia?! Imagine a elite burra
PP: - Acredite... tem muita gente pior..
Eu: - A questão é: se temos essa inteligência mesmo, ou parte dela, pra alguma coisa útil deve servir. Por exemplo, não é possível que a gente não consiga bolar um roubo a banco descente!!!

Alguns minutos depois, com alguns planos apresentados, abandonamos a idéia... ao menos por enquanto. A conclusão que chegaram é que seria mais fácil ficar na porta do inps esperando os velhinhos indefesos, surrá-los, e pegar a mixaria da aposentadoria. :oþ

Ontem, num daqueles lâmbidos momentos de tédio, meu amigo proferiu sua expressão preferida:
(Diálogo 2)
PP: - Universo SUX... SUX... SUX!!!
RA: - Não! O universo não SUX. Tem muitas coisas boas...
PP: - Me diz uma...
RA: - Ah! Não sei.. mas deve haver.
AL: - Só sei que a vida é uma merda. Mas o universo deve ter alguma coisa boa, em algum lugar.
PP: - RA, universo SUX, e pronto.
RA: - Não. Tem coisas boas...
PP: - Anderson, o universo te proporciona alguma coisa boa?
Eu: - Não!!!

Moral da história: "Pra ser honesto sou um pouquinho infeliz, mas tudo bem... tudo bem... tudo bem..."

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Quinta-feira, Fevereiro 27, 2003
Jealous Guy
John Lennon

I was dreaming of the past.
And my heart was beating fast,
I began to lose control,
I began to lose control,

I didn't mean to hurt you,
I'm sorry that I mad you cry,
I didn't want to hurt you,
I'm just a jealous guy,

I was feeling insecure,
You night not love me any more,

I was shivering inside,
I was shivering inside,

I was trying to catch your eyes,
Thought that you were trying to hide,
I was swallowing my pain,
I was swallowing my pain.


Esta música sou eu. Sim, tem várias músicas que retratam a minha personalidade e essa é uma delas. Ciumento, inseguro... detesto magoar as pessoas que gosto, e parece que quanto mais tento evitar, menos consigo. Pior é o estrago. Infelizmente.

Não acho o ciúmes um sentimento sadio. Não é necessário, como alguns costumam dizer. Mas a mesma insegurança que me torna ciumento, faz com que eu me sinta melhor com um pouco de ciúmes da minha pessoa.

Por sorte, meu ciúmes não é doentio. Aliás, não é grande o suficiente pra estragar qualquer relacionamento. Ainda bem. Mas tenho tentado me controlar mais. Já vi coisas horríveis causadas por ciúmes idiota, gratuito e desmedido.

Bom, é isso... sinto que tenho falado muito de mim nos últimos posts. Espero que os amigos leitores não se incomodem. Quando o eu-lírico se cala, o EU, simples e sujo, desprovido de qualquer caráter, mostra seus lados, claros ou negros.

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Quarta-feira, Fevereiro 26, 2003
Minha vida de cão



Resolvi postar algo sobre esta série também. Abaixo segue o texto que enviei para minha amiga didi. Era o texto usado pelo canal Multishow nas chamadas da série. É bem legal, embora eu não seja mais um adolescente (pra quem não me conhece e não visitou a seção "quem sou" deste blog ainda, tenho 22 anos.


Adolescência

Ser adolescente
Ser humano irracional
Diferente e igual
Ultrapassado e atual
Adolescência, fim da inocência
Idade da insistência
Do peso leve na consciência
Tempo de matar o ontem
Consumir o hoje
Deixar o amanhã pra depois
Idade da personalidade
Época de não passar pela vida
Deixar a vida passar pela gente
Numa ilusão diferente
Onde a realidade do mundo
É um sonho adolescente.




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Terça-feira, Fevereiro 25, 2003
Wonder Years

"Growing up happens in a heartbeat. One day you're in diapers, the next day you're gone. But the memories of childhood stay with you for the long haul. I remember a place... a town... a house like a lot of other houses... a yard like a lot of other yards... on a street like a lot of other streets. And the thing is... after all these years, I still look back... with WONDER."

Trecho narrado na série Anos Incríveis (Wonder Years)



Inseri três links a esquerda que revelam meu lado saudosista, como bom canceriano e como digno (espero) representante da turma do Infância80. Além de tudo que vivi de gostoso na infância e que adoro recordar, trago na lembrança mais recente, de minha adolescência, duas séries: Anos Incríveis e Minha Vida de Cão. Adoro a segunda até por ser meio fã da Claire Danes, mas a primeira sem dúvida acompanhou-me por muitos anos e é especial. Na verdade, eu cresci junto com Kevin Arnold. Quase a mesma idade, as mesmas aflições...

Tá, alguém pode achar tudo isso meio bobo, infantil. Mas não é. Eu poderia dizer que eu era novo também e por isso gostava, mas a verdade é que, se assistisse hoje, ainda assim iria adorar. Se quiserem um motivo mais "elegante", basta dar uma olhada na trilha sonora da série em suas seis temporadas.

Pra quem detesta saudosismos e tal, tenho a dizer, assim como tentei dizer na lista do i80 hoje, que discordo da nostalgia extrema que tenta depreciar tudo que é novo, julgando ser pior que o que tivemos no passado. Mas "o que é bom pra sempre fica guardado na memória", e trazer isso a tona faz nossa vida ter algum sentido. Quando vivo do passado, seleciono as coisas que me fizeram feliz. Pior é quem vive apenas no amargo presente e reclama a todo instante!

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Segunda-feira, Fevereiro 24, 2003
Filho de André

Meu nome é Anderson, e talvez por eu usá-lo desde que nasci, pra mim é um nome super comum e de fácil pronuncia e escrita. Gostaria até da opinião de meus amigos leitores. É um nome muito complicado é? Pois as pessoas insistem em trocá-lo por qualquer outra coisa, muitas vezes até mais complicado.

Bom, a confusão começou logo quando eu nasci. Meu irmãozinho com seus dois anos de idade achava muito complicado o nome e, com sua simplicidade infantil, passou a me chamar de Nenê. Até aí tudo bem, exceto pelo fato de minha família me chamar assim até hoje e de ainda haver quem faça piadinha sem noção.

Vamos lá, não é tão difícil. AN - DER - SON. Simples.

Hoje mesmo já me chamaram de Anselmo (?) e Wanderson. WANDERSON NÃO!!!! É engraçado que eu ache meu nome tão bonito e a simples inclusão de um W torne-o TÃO ridículo*. Mas a lista de nomes que usam é grande. Alguns são sonoramente perdoáveis, como Éderson, Adson... Adilson, forçando a barra. Agora, o mais comum deles, ninguém vai acreditar. Por algum motivo que mentes humanas jamais explicarão, pessoas diferentes de lugares remotos têm uma insistência incontrolável de achar que me chamo Alexandre. Valha-me!!!

O engraçado é que eu não gosto de ficar corrigindo. As vezes alguém passa tempos me chamando por um outro nome e só depois é que ficam sabendo que estavam pronunciando errado. Mas quando eu invento de corrigir... Um advogado/amigo/cliente, por mais que eu o corrigisse, me chamava de Alexandre, e me chamaria ainda hoje caso o encontrasse. Assim como quem me confunde com o meu irmão, mas aí o problema é outro, já que André é bem diferente.

Pra vocês, amigos "digitais", pode ser Andy mesmo. Mesmo que eu, aqui, pronuncie ândi, enquanto todos pronunciam, até mais corretamente, endi. Sintam-se a vontade, desde que não me chamem de Wanderson*.

*Se alguém aí se chamar Wanderson, ou tiver alguém próximo com esse nome, não leve a mal. Nada contra. Só não gosto pra mim. :op


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Ladys and gentlemen, this is Bob Dylan

Things Have Changed
Bob Dylan


A worried man with a worried mind
No one in front of me and nothing behind
There's a woman on my lap and she's drinking champagne
Got white skin, got assassin's eyes
I'm looking up into the sapphire tinted skies
I'm well dressed, waiting on the last train

Bridge #1:
Standing on the gallows with my head in a noose
Any minute now I'm expecting all hell to break loose

Chorus
People are crazy and times are strange
I'm locked in tight, I'm out of range
I used to care, but things have changed

This place ain't doing me any good
I'm in the wrong town, I should be in Hollywood
Just for a second there I thought I saw something move
Gonna take dancing lessons do the jitterbug rag
Ain't no shortcuts, gonna dress in drag
Only a fool in here would think he's got anything to prove

Bridge #2
Lot of water under the bridge, Lot of other stuff too
Don't get up gentlemen, I'm only passing through

(chorus)

I've been walking forty miles of bad road
If the bible is right, the world will explode
I've been trying to get as far away from myself as I can
Some things are too hot to touch
The human mind can only stand so much
You can't win with a losing hand

Bridge #3
Feel like falling in love with the first woman I meet
Putting her in a wheel barrow and wheeling her down the street

(chorus)

I hurt easy, I just don't show it
You can hurt someone and not even know it
The next sixty seconds could be like an eternity
Gonna get low down, gonna fly high
All the truth in the world adds up to one big lie
I'm in love with a woman who don't even appeal to me

Bridge #4
Mr. Jinx and Miss Lucy, they jumped in the lake
I'm not that eager to make a mistake

(chorus)


Clique aqui para ler a bizonha tradução do Google. A página fonte é a oficial do Bob Dylan.



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Domingo, Fevereiro 23, 2003
Os rapsodos

Os rapsodos, ao contrário dos aedos, declamavam e recitavam versos que não eram de sua própria autoria nos concursos das numerosas festas e solenidades religiosas das póleis gregas.

Sua atuação era freqüentemente comparada à dos atores: empunhando uma espécie de bastão, o rábdos, com roupas coloridas e chamativas e uma coroa de ouro na cabeça, subiam a uma pequena plataforma e declamavam. Recorriam com liberalidade à mímica durante a apresentação e, habitualmente, não havia acompanhamento musical.

Embora declamassem obras de vários poetas, as epopéias homéricas constituíam o repertório principal dos rapsodos.

Texto tirado deste ótimo site sobre Grécia Antiga



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Sexta-feira, Fevereiro 21, 2003
O Conto do Sábio Chinês
Raul Seixas

Era uma vez um sábio chinês, que um dia sonhou que era uma borboleta,
Voando nos campos, pousando nas flores, vivendo assim, um lindo sonho.
Até que um dia acordou e pro resto da vida uma dúvida lhe acompanhou.

Se ele era um sábio chinês que sonhou que era uma borboleta,
Ou se era uma borboleta sonhando que era um sábio chinês.


Pra quem não sabe, a história musicada por Raulzito aconteceu com o mestre taoísta Chuang Tzu. Sua frase ao acordar, pelo que consta, foi:

"Fui antes um homem que sonhava ser uma borboleta, ou sou agora uma borboleta que sonha em ser um homem?"



Como eu gostaria de acordar deste pesadelo e descobrir que sou uma borboleta feliz...

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All You Need Is Love

Lembrei desta música ao ler o post da Aline Russo sobre o amor. Achei a tradução no site Beatles Brasil, onde tem até uma pagina especialmente para essa música, com clipe, mp3, midi, curiosidades, etc...

Tudo Que Você Precisa é Amor
Lennon/McCartney

Amor, Amor, Amor
Amor, Amor, Amor
Amor, Amor, Amor

Não há nada que você possa fazer que não possa ser feito
Não há nada que você possa cantar que não possa ser cantado
Nada que você possa dizer, mas você pode aprender a jogar
É fácil

Nada que você possa fazer que não possa ser feito
Ninguém que você possa salvar que não possa ser salvo
Nada que você possa fazer,
mas você pode aprender a ser você mesmo a tempo
É fácil

Tudo Que Você Precisa é Amor
Tudo Que Você Precisa é Amor
Tudo Que Você Precisa é Amor, Amor
Amor é tudo Que Você Precisa

Tudo Que Você Precisa é Amor
Tudo Que Você Precisa é Amor
Tudo Que Você Precisa é Amor, Amor
Amor é tudo Que Você Precisa

Nada que você possa conhecer que não seja conhecido
Nada que você possa ver que não esteja à mostra
Nenhum lugar onde possa estar que não seja aonde você deveria estar
É fácil

Tudo Que Você Precisa é Amor
Tudo Que Você Precisa é Amor
Tudo Que Você Precisa é Amor, Amor
Amor é tudo Que Você Precisa

Tudo Que Você Precisa é Amor (Paul: Todos juntos agora!)
Tudo Que Você Precisa é Amor (Todo mundo!)
Tudo Que Você Precisa é Amor, Amor
Amor é tudo Que Você Precisa
(Amor é tudo Que Você Precisa)

Yee-hai!
Oh yeah!
She loves you, yeah yeah yeah...
She loves you, yeah yeah yeah...



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Charles Spencer Chaplin


(Figura tirada daqui)



"Se tivesse acreditado na minha brincadeira de dizer verdades, teria ouvido verdades que teimo em dizer brincando. Falei como um palhaço mas jamais duvidei da sinceridade da platéia que sorria."

Eu sei que é meio batido, mas sempre gostei dessa "frase" de Chaplin. A primeira vez que li foi num cartão que, sugestivamente, acabei dando a uma pessoa... mas isso faz muuuito tempo. Na verdade eu vi uma conotação de acordo com o que eu queria dizer, ou seja, numa relação a dois. Hoje, claro, sei que "Carlitos" alertava que suas comédias eram, na verdade, seríssimas. Chaplin dizia muito, mesmo sem falar uma única palavra.

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Liquidação do ensino


Tirado daqui

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Quinta-feira, Fevereiro 20, 2003
Provão

"Levantaram" o assunto provão na lista de e-mails da graduação que faço parte. Ainda não posso dizer que tenho uma opinião totalmente formada sobre o assunto. Particularmente, acho interessante que haja algum tipo de avaliação dos cursos superiores, porque tenho conhecimento de muitos que chegam a ser ridículos e acabam colocando no mercado de trabalho profissionais diplomados nada qualificados.

O pouco que sei do Provão é através de depoimentos dos que já passaram por isso. Pelo que pude perceber, as provas são muito ruins, fracas e mal elaboradas, não contribuíndo para a correta avaliação do curso. Mas o problema maior é a "faca de dois gumes" em que se vê o graduando. Se o curso tiver um bom conceito teme-se que os investimentos no curso diminuam. Se for mal conceituado, aniquila as pretensões profissionais do aluno. O boicote parece não ser a solução, já que compactuar com pessoas mais interessadas em seu próprio umbigo não costuma funcionar. O que fazer então?!

Escolhi alguns depoimentos mais interessantes do forum da página da ECA (Escola de Comunicação e Artes - USP), com a pergunta: A USP deve boicotar o Provão?.

"Sim, porque ele não serve para dar um panorama real das universidades brasileiras, mas para criar um ranking que favorece muitas universidades ruins, particulares. A USP não deveria servir para legitimar essa desvalorização do ensino público. A USP tem muitos problemas que não são percebidos pelo Provão justamente porque os estudantes não têm voz nesse processo."
Leonardo Crochik
4º ano Física

"Não. Sendo correto ou não, é a forma estabelecida e a USP não deve se opor. O que se pode fazer é discutir vantagens e desvantagens e adaptá-lo, mas não simplesmente boicotá-lo. Uma avaliação nos moldes do Provão é um item interessante. Um outro seria uma avaliação da vida profissional do aluno ao sair da universidade: ver ocupações e cargos que os alunos desenvolveram."
Paulo José da Silva e Silva
Professor de Computação

"Um boicote nem sempre é a melhor forma de reação. A USP deve reagir de todas as formas possíveis, mas dentro da legalidade. A avaliação é uma coisa boa, mas não a do Provão. A maneira como foi implementada, sem discussão e participação dos vários órgãos das universidades, é que faz com que a gente não o aprove. Diferentes órgãos deveriam ser criados dentro de cada área, para estabelecer os critérios para se avaliar".
Atlas Nakamae
Professor da Odontologia


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Quarta-feira, Fevereiro 19, 2003
"Armas de destruição de massa: um guia prático"

Mais guerra, mais copy/paste, mas esse é ótimo gente. Recebi por e-mail, um periódico do Paulo Coelho. Leiam, gostem dele ou não.

Ao contrário do que faço sempre com textos de outrem, não colocarei sobre o quadro mais claro, pois poderia dificultar a leitura... e esta merece ser lida.


"Em se considerando que o presidente da republica do país mais poderoso do planeta deve ser responsável por suas ações, e sabe o que está falando, apesar de seus olhos (já prestaram atenção nos seus olhos? Pois façam isso!). Eu, um escritor brasileiro, que vive de sua luta diária com as palavras, e não tem maiores conexões com os serviços de espionagem, os mecanismos de inspeção, com os dossiês secretos, com as informações privilegiadas, mas que é capaz de ler jornais com um razoável nível de entendimento, tenho a solução definitiva de como localizar as armas de mass destruction escondidas pelo Iraque. Com estas informações, pretendo cobrar um preço.

Como localizar as armas:

1] todos os inspetores que se encontram no Iraque devem fazer suas malas, pagar a conta do hotel, e dirigir-se ao aeroporto de Bagdad.

2] ali, devem comprar um bilhete business class para Washington. Eu sugiro business class, para que tenham tempo de descansar - já que o vôo terá várias escalas.

3] Uma vez chegando em Washington, devem tomar o primeiro ônibus para o quartel-general da Central Inteligence Agency, também conhecida por CIA. O endereço encontra-se na lista telefônica de Virginia.

4] Chegando na sede da CIA, e munidos do respectivo mandato de inspeção das Nações Unidas, devem requisitar todas as fotos, informações, documentos que no momento estão sendo fornecidos ao Sr. George W. Bush. São estes documentos, com a localização precisa de cada um dos esconderijos, que permitem ao Sr. Bush garantir que o Iraque possui um arsenal capaz de destruir o planeta.

5] Uma vez de posse destes documentos, voltam ao Iraque (também business class, porque precisam chegar lá descansados) dirigirem-se imediatamente aos locais indicados nas fotos. Saddam Hussein não terá mais como negar a evidência, e irá destruir o seu arsenal - temendo que o mundo se volte contra ele.

6] Caso a CIA não tenha os documentos e fotos em questão, os inspetores devem dirigir-se à Casa Branca, em Washington - indo diretamente ao quarto do Sr. George W. Bush. No caminho, devem evitar manter contacto com os milhares de manifestantes americanos que, no dia 15 de fevereiro de 2003, fizeram uma grande passeata contra a guerra no Iraque.

7] Se o Sr. George W. Bush não cooperar com os inspetores da ONU, devem procurar o material embaixo de sua cama. Se não encontrarem, devem dirigir-se ao psicanalista do referido cidadão, munidos de um mandato do Conselho de Segurança e da seguinte pergunta: "um filho tem que terminar o trabalho do pai?" Caso a resposta seja afirmativa, por favor me avisem logo: meu pai era um engenheiro civil, e quando se aposentou, possivelmente deixou algumas obras para que seu sucessor terminasse. Caso a resposta seja negativa, exigir do psicanalista - em nome da ONU, dos EUA, e do mundo inteiro - que medique seu paciente de modo a não constituir uma ameaça ao seu país e ao seu planeta.

Com relação ao preço:

Uma vez dada esta linha de ação que julgo infalível, solicito que os bilhões de dólares que seriam gastos em uma eventual guerra sejam divididos da seguinte maneira:

- 50% (cinqüenta por cento) para ajudar os pobres do Brasil, já que nosso presidente está lutando contra um déficit orçamentário muito grande, e o autor da idéia "Mass destruction weapons: a pratical guide" (que foi traduzido em Inglês e devidamente encaminhado) é um brasileiro.

- 40% (quarenta por cento ) para a África.

- 9 % (nove por cento) para a Europa, que balançou, mas não caiu - pelo menos até o dia em que estou escrevendo este artigo.

- 1 % para que seja escrito uma linda biografia de Tony Blair, com tradução em 40 linguas, hardcover, fotos coloridas - dizendo como ele é um grande líder, um homem inteligente, importante, carismático, bonito, charmoso. Isso bastará para que ele fique contente em seu canto, já que suas fantásticas qualidades são reconhecidas.

Finalmente:

É importante acrescentar o seguinte: quando se referirem à guerra, por favor não generalizem dizendo "os americanos querem atacar o Iraque". Já cometemos este erro antes, dizendo "os sérvios são carniceiros", "os brasileiros são preguiçosos", ou "os iranianos são fundamentalistas". Quem quer atacar o Iraque são os políticos em torno do Sr. George W. Bush, os órfãos da Enron & Co. O povo americano está plenamente consciente do que está acontecendo, e assim como conseguiram parar a guerra no Vietnam, talvez consigam que o psicanalista de Bush, na falta de explicações convincentes, receite um calmante e acabe com o pesadelo. "

Guerreiro da Luz Online, publicação de www.paulocoelho.com.br
by Paulo Coelho


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Terça-feira, Fevereiro 18, 2003
Um pequeno Ctrl+C, Ctrl+V.

A filosofia moderna, que só admite o que explica, não deixa de admitir essa obscura faculdade chamada instinto que parece guiar os animais, sem qualquer conhecimento adquirido, no sentido de algum fim. O instinto, segundo um de nossos mais sábios filósofos (Condillac), nada mais é do que um hábito privado de reflexão, mas adquirido por reflexão; a maneira pela qual ele explica esse progresso obriga-nos a concluir que as crianças refletem mais do que os adultos, paradoxo muito estranho para valer a pena ser examinado.

Sem entrar aqui nessa discussão, pergunto que nome devo dar ao ardor com que meu cão faz guerra às toupeiras que não come, à paciência com que as guarda, jogando-as por terra no momento em que saltam, matando-as em seguida para deixá-las ali, sem que jamais alguém o tenha dirigido para essa caça ou lhe ensinado que existem toupeiras. Pergunto ainda, e isso é mais importante, por que, na primeira vez em que ameacei esse mesmo cão, ele se atirou de costas no chão, as patas dobradas, numa atitude suplicante e mais própria para me comover, postura em que não permaneceria se, sem me deixar dobrar, eu lhe batesse. Quê?! meu cão, pequenino, mal acabado de nascer, já teria adquirido idéias morais? Sabia o que era clemência e generosidade? Em virtude de que luzes adquiridas esperava me acalmar, abandonando-se assim à minha discrição?

Todos os cães do mundo fazem quase o mesmo no mesmo caso, e nada falo aqui que não possa ser verificado por todos. Que os filósofos, que tão desdenhosamente rejeitam o instinto, queiram explicar esse fato apenas pelo jogo das sensações e dos conhecimentos que elas nos fazem adquirir; que o expliquem de maneira satisfatória para todo homem sensato; então não teria mais nada a dizer e não mais falarei de instinto.

(Nota interessantíssima de Rosseau no texto A Consciência segundo Rosseau, tirada de www.mundodosfilosofos.com.br)


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Senso Comum

É de praxe: toda segunda ou terceria edição de qualquer coisa que tenha feito algum sucesso na primeira já surge com comentários sempre iguais, do tipo "NÃO VAI ser como o primeiro", "VAI ser pura imitação", "não tem mais graça"... De repente é como se tivessemos vários bidus espalhados por todos os cantos. Um exemplo é o BBB3. Tanto falaram que ía ser uma droga, e mesmo que eu concorde que tinham razão, não se fala em outra coisa, e a audiência anda altíssima.

Tá, não resisti... eu vou tocar neste assunto. Confesso que não acho o programa bom ou útil, mas gosto. Talvez por gostar de ficar analisando a personalidade das pessoas (sempre quis fazer psicologia) e a natureza humana. Mas enfim.. não me odeiem por isso nem se sintam decepcionados, caros leitores. Talvez decepcione mais o que eu ainda tenho a dizer.

Após ficar extremamente irritado com a manipulação articulada pelo homem-do-sofá e pelo reclamão (que chama a todos de falsos, mas mete o pau na Vivi, vota nela 2 vezes, e depois fica lambendo...), sou obrigado a ajudar na manutenção de Dhomini na casa, que é a única possibilidade de quebrar aquela panela. Também não tenho nadica de nada contra este ser tão odiado. E, principalmente, não entendo todo esse ódio. Realmente deve haver algum motivo para isso. Eu já perguntei pra algumas pessoas que partilham deste sentimento, e hoje cometi a atrocidade de visitar o site de repúdio ao "mineiro". Sinceramente, me considero super sensato, de forma que se me mostrarem uma justificativa realmente convincente, eu mesmo poderei ajudar a detoná-lo. Mas não achei ABSOLUTAMENTE NENHUM argumento se quer aceitável para tal. Me parece mais aquelas armações quando querem detonar alguém e ficam caçando chifre em cabeça de cavalo. Tudo que argumentaram contra ele, além de ser no mínimo discutível e muito suspeito, não é nada convincente a ponto de me deixar com raiva do moço.

Antes que me entendam mal, não torço por ele, nem o imagino um santo, mas não vejo nada contro ele, ao contrário de metade do povo daquela casa. Torço pela Sabrina, que ao contrário do que tentam insinuar, não está sendo falsa. Sonsa ela é mesmo, bobinha, mas é isso que eu gosto nela. :o)

Pra falar a verdade, só tem idiota naquela casa. E assistindo também... :oD

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Domingo, Fevereiro 16, 2003
BLÁBLÁBLAIR

Como um marido corno que segue para assassinar covardemente sua mulher e o amante, o decepcionante Tony BLÁBLÁBLAir afirma publicamente que destituir Saddam Hussein do poder no Iraque é uma questão de "HONRA"!!! Com um agravante: é um marido corno que apenas SUSPEITA da traição... RIDÍCULO!!!!

Questão de Honra?! Que muitas vidas tem a ver com a Honra de uma gente imbecil?! Blá!!!

Infelizmente esse blog está virando megafone (mega?) "No War". Mas é como minha amiga Priscilla disse no post anterior: "veja o blog como um espaço onde vc vomita o que quer dizer". E ando muuuito revoltado com tudo isso. Preciso falar...

Ah! Por falar em posts anteriores, um pedido: caros visitantes de blogs, procurem sempre dar uma olhada nos posts mais antigos, especialmente quando não os viu ainda. Afinal, há dias em que não estamos inspirados pra postar, e quem vê por cima pode não gostar. Mas se der uma olhada mais a fundo (ou mais abaixo) pode achar coisas interessantes.

É isso!!!

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Sábado, Fevereiro 15, 2003
Blog carente, autor idem.

Acho que a volta às aulas faz um grande mal ao mundo dos blogs. Este, por exemplo, está abandonado. Não por seu autor que ainda não voltou às aulas (volta nesta segunda)... Tá certo que não tenho postada nada muuuito interessante, mas o fato é que mesmo em número de visitas caiu muito a "audiência" por aqui. :o(((

Estou me sentindo um Maior Abandonado.

Maior Abandonado

Eu tô perdido
Sem pai nem mãe
Bem na porta da tua casa
Eu tô pedindo
A tua mão
E um pouquinho do braço
Migalhas dormidas do teu pão
Raspas e restos
Me interessam
Pequenas poções de ilusão
Mentiras sinceras me interessam
Me interessam
Eu tô pedindo
A tua mão
Me leve para qualquer lado
Só um pouquinho
De proteção
Ao maior abandonado
Teu corpo com amor ou não
Raspas e restos me interessam
Me ame como a um irmão
Mentiras sinceras me interessam
Me interessam


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Sexta-feira, Fevereiro 14, 2003
Notícia do Dia D: "Inspetores de armas pedem mais tempo à ONU"

Caraca!!! O Bushinho deve estar a arrancar cabelos. Tentam porque tentam arrumar uma justificativa e não conseguem. Vão ter que admitir que só querem é o petróleo do Saddam.

Olha, uma coisa está provada: não importa o que aconteça, não importa o que esses tais inspetores venham a relatar. Nem mesmo importará se o tempo mostrar que os EUA tinham razão em sua paranóia. Mesmo que Saddam espalhe o caos nuclear pela Terra, nada muda o fato de que está guerra é premeditada. O importante é que fique na história que partiram para a guerra sem razão nenhuma, por simples prepotência. E que, mesmo que nada houvesse contra os iraquianos, estes seriam atacados.

Fico com a resposta da Coréia do Norte: o direito de ação preventiva deve ser igual a todos. Se é assim, eles também podem atacar os "estadunidenses" (adorei essa Rosa Tingida, tive que plagiar). Nós também, afinal, todos devem temer o maior terrorista do planeta: George War Bush.

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Quinta-feira, Fevereiro 13, 2003
Estou lendo...

...1984, de George Orwel. Apesar de resenhas não ser meu forte e de eu estar apenas na metade do livro, vou me arriscar.

No remoto ano de 1984, se é que era esse mesmo o ano Winston Smith vive em Londres, na Oceania, que vive em constante conflito com a Eurásia. Winston trabalha para o estado socialista no Ministério da Verdade e é responsável por reescrever e alterar dados que possam comprometer o Partido. Cartazes com os dizeres "O Grande Irmão zela por ti", e as teletelas espalhadas por todos os lugares, não deixam os cidadãos esquecerem que têm cada passo vigiado pelo governo. Quem pensasse diferente da doutrina do partido, estaria cometendo crimidéia (crime de idéia).

A estória foi escrita no pós-guerra, em 1949. Quatro anos após a publicaçao do ótimo Revolução dos Bichos, Gerge Orwell voltava a criticar duramente o regime Stalinista. No livro, o escritor britânico visualiza um futuro aterrador sob o domínio totalitarista do regime socialista, com o a privaçao até mesmo do pensamento. Orwell nos leva a reflexões políticas e humanas, como, por exemplo, de como se pode dominar e ser dominado. "Quem controla o passado controla o futuro; quem controla o presente controla o passado", como dizia o Partido, que tinha como lema:

Guerra é Paz;
Liberdade é Escravidão;
Ignorância é Força.


Curiosidades:
- Pra quem não sabia, é deste livro que surgiu o nome "Big Brother" para programas voyeuristas, apesar de o idealizador, da Endemol, afirmar não ter lido o livro.

- Os sequestradores do empresário Washington Olivetto, que dispunham de uma câmera instalada no cubículo em que prenderam o sequestrado, ofereceram este livro para o empresário "se distrair com uma leitura". Que maldade!!!

- Comentando com uma amiga (que por motivos óbvios não revelarei o nome, mas que eu adoro) no mirc, sobre o livro, veio a pergunta: "mas o que aconteceu em 1984?"! :oD

- A frase "disciplina é liberdade" da música "Há Tempos" da Legião Urbana é uma espécie de referência contraditória a "liberdade é escravidão" do lema do partido.

- Um ótimo link sobre o livro e sobre George Orwel é o site DUPLIPENSAR.NET. " du.pli.pen.sar (v.) capacidade de guardar simultaneamente na cabeça duas crenças contraditórias e aceitar ambas."


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Na falta do que postar, vou para as minhas seções básicas:

Ando ouvindo...

... o barulho do motor do meu furca. Isso porque, por algum motivo desconhecido qualquer, ou talvez pela minha insistente falta de sorte, o CD-Player (é.. isto mesmo.. é furca mas tem CD... pobre é f.) tá dando pau. Quando eu acelero, pára de tocar. Considerando que se eu ouvir com o carro parado a bateria vai pro saco, eu não ouço mais nada. Mas já cheguei no estágio de loucura que me permite cantar, berrar, enquanto dirijo. Todo mundo olha, impressionante!!!

Maldito alternador.. :o/

Tem uma coletânea dos Beatles dentro do CD-Player. Coletânea pirata, feita por mim mesmo. A primeira música é talvez uma das que eu mais gosto: A Day in The Life.

É isso...


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Ato cívico

Recebi isso por e-mail e por isso mesmo não vou me preocupar com os créditos, mas parece ser de alguém do Greenpeace. Estou fazendo minha parte divulgando.

Povo de Sanca, se alguém for em Ribeirão, e puder me levar na mala dá um toque. Não! eu não tenho dinheiro... teria que ir de folgado mesmo.

Greenpeace

No próximo sábado, dia 15 de fevereiro, pessoas de todo o mundo vão reunir-se em suas cidades para a realização de protestos pela paz e contra a guerra que a administração americana, liderada por George W. Bush, pretende realizar contra o Iraque.

Várias cidades aqui no Brasil também participarão deste dia de protestos globais, realizando caminhadas e atos públicos para mostrar que guerras não são o caminho para a resolução de conflitos, especialmente este.

Veja abaixo a lista de cidades brasileiras que realizarão atividades neste dia e participe dos protestos se você puder. Sua faixa ou cartaz serão bem vindos e você pode visitar nosso site e imprimir cartazes clicando aqui. Vale lembrar que estes protestos estão sendo organizados por muitas organizações independentes, buscando o envolvimento de toda a sociedade e não são apenas atividades do Greenpeace.

Para saber mais sobre este conflito atual e a posição do Greenpeace, visite nosso site especial: http://www.greenpeace.org.br/nowar

*SÃO PAULO*
Concentração em frente ao Masp às 16:00hs, caminhada até o Ibirapuera.

*RIO DE JANEIRO*
Concentração na Praia do Leme, em frente ao Hotel Meridien, às 15 horas.

*SALVADOR*
Concentração em Campo Grande, em frente ao Teatro Castro Alves, às 14:30 horas, caminhada até a Praça da Sé.

*BELO HORIZONTE*
Concentração na Praça da Estação, às 10:00hs, com marcha às 12:00 até a Praça Sete para um minuto de silêncio.

*CAXIAS DO SUL*
Ato no Calçadão, às 10hs.

*FLORIANÓPOLIS*
Bicicletada contra a guerra, na frente da Catedral, às 10:00hs.

*CAMPINAS*
Manifestação às 9:00hs, no Largo da Catedral.

*RIBEIRÃO PRETO*
Ato público na Esplanada do Teatro Pedro II, às 10:00hs.

*GOIÂNIA*
Ato público na Praça do Trabalhador, às 9:00hs, com caminhada pela avenida Goiás até a Praça Cívica.


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Quarta-feira, Fevereiro 12, 2003
Dolcissima Maria

Adoro esta música. Tanto que, com alguma ajuda (até porque não sei italiano), fiz uma adaptaçãozinha. Por favor, nada de críticas negativas... eu fiz por brincadeira.. hehe... e, quem fala italiano, não me mate. Ao invés disso, dê-me algumas aulas... :o)

(Franco Mussida/Flavio Flanco Premoli/Mauro Pagani)

Dolce Maria
dimentica i fiori
dipinti dal tempo
sopra il tuo viso,
e gli anni andati via
seduta ad aspettare
una lunga, lunga via
nessuna da incontrare...
Non voltarti più.
E il giorno arriverà
vestito di poesia
ti parlerà di sogni
che non ricordavi più,
e ti benedirà
dolcissima Maria.

Dolce Maria
dagli occhi puliti
dagli occhi bagnati
è tempo di andare:
E presto sentirai
profumo di mattino
e il tordo canterà
volandoti vicino...
Non voltarti più.
E qualcuno se vorrai
vestito di poesia
ti coprirà d'amore
senza chiederti di più
e t'accarezzerà
dolcissima Maria.
(Adaptação: Anderson Garcia)


Doce Maria
esquece das flores
pinturas do tempo
sobre sua face
e os anos passaram
sentada a esperar
uma longa jornada
ninguém encontrar...
Não retornará.
E o dia chegará
vestido de poesia
lhe falará de sonhos
que você nem lembraria,
e lhe abençoará
docíssima Maria.

Doce Maria
dos olhos mais puros
dos olhos molhados
é hora de andar:
E logo sentirá
perfume de manhã
e o tordo cantará
voando se aproximam...
Não retornará.
E alguém, se desejar,
vestido de poesia
lhe cobrirá de amor
sem nada a perguntar
e lhe acariciará
docíssima Maria.


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Domingo, Fevereiro 09, 2003
nalgum lugar

Heis o comentário que Zeca Baleiro faz da música no encarte do CD Líricas.

"Há muitos anos, vi no cinema "hannah e suas irmãs", filme de woody allen, em que o personagem de michael caine, apaixonado pela irmã de sua mulher, a presenteia com um livro do poeta americano e.e. cummings. a certa altura, ela abre o livro e lê um poema de amor lírico e comovente. passei muito tempo com o eco daquele poema na minha memória até que caísse em minhas mãos um livro com a obra de cummings traduzida por augusto de campos. e então deu-se a mágica."

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e.e. cummings

Em seu disco Líricas, Zeca Baleiro gravou uma música, musicada por ele, cuja letra é um poema de e.e.cummings traduzido por Augusto de Campos. O poema é lindo, a tradução é ótima... não ía ser o Zeca que ía estragar, pelo contrário. Quem ainda não ouviu, ela se chama Nalgum Lugar.

nalgum lugar em que eu nunca estive,alegremente além
de qualquer experiência,teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto

teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos,nalgum lugar
me abres sempre pétala por pétala como a Primavera abre
(tocando sutilmente,misteriosamente)a sua primeira rosa

ou se quiseres me ver fechado,eu e
minha vida nos fecharemos belamente,de repente,
assim como o coração desta flor imagina
a neve cuidadosamente descendo em toda a parte;

nada que eu possa perceber neste universo iguala
o poder de tua imensa fragilidade:cuja textura
compele-me com a cor de seus continentes,
restituindo a morte e o sempre cada vez que respira

(não sei dizer o que há em ti que fecha
e abre;só uma parte de mim compreende que a
voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva,tem mãos tão pequenas


Pra quem quer conferir o texto original de cummings, lá vai:

somewhere i have never travelled,gladly beyond
any experience,your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near

your slightest look easily will unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skillfully,mysteriously)her first rose

or if your wish be to close me,i and
my life will shut very beautifully,suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;

nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility:whose texture
compels me with the colour of its countries,
rendering death and forever with each breathing

(i do not know what is is about you that closes
and opens; only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody,not even the rain,has such small hands


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O Artista Inconfessável
João Cabral de Melo Neto

Fazer o que seja é inútil.
Não fazer nada é inútil.
Mas entre o fazer e não fazer
mais vale o inútil do fazer.
Mas não, fazer para esquecer
que é inútil: nunca o esquecer.
Mas fazer o inútil sabendo
que ele é inútil, e bem sabendo
que é inútil e que seu sentido
não será sequer pressentido,
fazer: porque ele é mais difícil
do que não fazer, e dificil-
mente se poderá dizer
com mais desdém, ou então dizer
mais direto ao leitor Ninguém
que o feito o foi para ninguém.


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Sábado, Fevereiro 08, 2003
A Bronca de Rui Barbosa

A palavra surrupiei que eu usei no post anterior me fez lembrar esta história. Eu já havia colocado ela em um comentário (antigo já) do blog da Mentecapta, e prometi postar aqui uma versão diferente que meu pai nos contava (ele sabia decorada a fala do Rui). Infelizmente eu não conseguiria relatar aqui com propriedade aquela versão. Mas era, definitivamente, mais engraçada.

Segue então a versão original:

Diz que o Rui Barbosa, ao chegar em sua casa, ouviu um esquisito barulho vindo do seu quintal.

Chegando lá, constatou que havia um ladrão tentando levar seus patos de criação. Aproximou-se vagarosamente do indivíduo, surpreendendo-o tentando pular o muro com seus amados patos. Batendo nas costas do tal invasor, disse-lhe:

- Ô bucéfalo, não é pelo valor intrínseco dos bípedes palmíferes e sim pelo ato vil e sorrateiro de galgares as profanas de minha residência.
Se fazes isso por necessidade, transito; mas se é para zombares de minha alta prosopopéia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica no alto de tua sinagoga que reduzir-te-à à quinquagésima potência que o vulgo denomina nada."

E então o ladrão disse:

- Ô moço, levo ou deixo os patos ?


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Checklist do Bush

Esta imagem eu surrupiei do blog Qretinices.



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Sexta-feira, Fevereiro 07, 2003
Rapsódia do Trabalho

I've been working all day
I've been thinking a lot

And I've been working like a dog

Braços na máquina operando a situação
Crescimento da produção
E o lucro é do patrão
Semana é do patrão
Ganância é do patrão
E o lucro é do patrão


Mas o que eu tenho
É só um emprego
E um salário miserável
Eu tenho o meu ofício
Que me cansa de verdade


Ah não seria mal
Ó meu Deus
Se eu fosse é errado eu sei
Sustentado pelo mundo
A Etiópia é assim
Subaquistão é assim


E quando chega o fim do dia
Eu só penso em descançar
E voltar prá casa pros teus braços

When I'm home ev'rything seems to be right
When I'm home feeling you holding me tight, tight, yeh



Legenda/Créditos:

Legião Urbana - Mariane e Música de Trabalho
The Beatles - A Hard Day's Night e Música de Trabalho
Pato Fú - Vida de Operário e Spoc

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Quinta-feira, Fevereiro 06, 2003
Homenagem ao Novo-Velho Mundo Blogger

Estava eu digitando este post cheio de louvores ao "meu" host quando a m. do sistema decidiu que meu tempo havia expirado. Resultado: perdi tudo que havia escrito. Com isso, tenho apenas três pequenas queixas do Blogger: o péssimo mecanismo de comentários (mas eu bem poderia ter escolhido outro), este pouco tempo que temos para postar antes que expire o tempo e as invariáveis falhas de arquivamento.

A indignação, porém não vai me impedir de fazer esta reverência aos novos e velhos bloggers. A verdade é que nos últimos dias este host tem ganho reforços de peso. Mais pela deficiência de outros (principalmente o Weblogger) que pela eficiência deste.

Um dos novos recém-chegados a casa, O Zoológico de Vidro está ainda melhor após a migração Blig->Blogger. Isto se deve principalmente a excelência dos novos posts da minha amigaça Rosa Tingida que vem cedendo ótimo conteúdo ao Zoo. Também de casa nova está o ex-weblogger Andrea Dória, que aqui passa a ser Physical Graffiti. Mantendo a boa qualidade de texto e com posts interessantes e envolventes e com um visual bem legal, minha já "amiga de blog" Priscilla trouxe para o Blogger toda sua "orla" de leitores, na qual eu me incluo, e provavelmente ganhará ainda muitos e muitos.

Quem não mudou de casa mas de cara é o blog da minha amiga Mentecapta. Suas reinações, cada vez mais interessantes, ganharam novo pano-de-fundo. Aprovadíssimo! O Causos e Prosas da querida Lud, vulgo Malucrécia, também ganhou uma reciclada que lhe caiu muito bem.

Com estes reforços e com o mesmo estrelismo de antes, os bloggers prometem continuar ecoando mais alto. Sempre com o mesmo anseio, sempre com as mesmas veracidades factuais. Claro, sem desmerecer os bligs com seu (também novo) encanto lunar de menina, ou os webloggers com seus diários impagáveis. Muito menos os oriundos de outros cantos.

E, por último, claro, devo lembrar que todos estes, e outros (me desculpem os não citados/linkados), merecem visita e principalmente comentários. Os comments são o termômetro dos blogs. Serve para seu autor conhecer a opinião de quem o lê e mesmo quando são críticas, servem muito bem como incentivo a novos posts e melhorias.

Deixo meus parabéns e um abraço a todos.

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Sören Kierkegaard

O assunto do post anterior é sem dúvida muito polêmico. Acho que postei mais pra mostrar que grandes filósofos acreditavam em Deus, e que isto não significa que eram alienados. E não só os racionalistas, mas também empíricos, existencialistas... Só pra dar um exemplo, Aristóteles acreditava na existência de um Deus que seria a própria essência da vida, se manifestando no mais pequeno detalhe.

Neste assunto, fico com Sören Aaybye Kierkegaard. O filósofo dinamarquês diferenciou a razão da fé. Para Kierkegaard, a fé começa onde acaba a razão. Ou seja, ele acreditava que havia algo transcendente à percepção humana. Ele defendia a verdade individual. Contrariando a filosofia hegeliana, Kierkegaard dizia que mais importante que verdades gerais seriam as verdades individuais.

"O fundamental não é saber se o Cristianismo é verdadeiro globalmente, o fundamental é saber se ele é verdadeiro para mim. Se é válido pelo menos para mim, que me importa se outros dizem que não o seja? Por que deveria aceitar algo negativo apenas porque um outro disse que é ou não é assim? O que sabe esse outro sobre mim de fato para dizer o que seja ou não válido para mim?"

Kierkegaard por Carlos Antonio Fragoso Guimarães


Kierkegard não aceitava muito bem que se "brincasse de" ou "fingisse" ser cristão. Segundo Jostein Gaarder em "O Mundo de Sofia", o filósofo dizia que ou se acredita que ou Cristo não era o Filho de Deus ou era e ressucitou ao terceiro dia, e isto seria um fato tão grande que muda toda nossa existência.

Eu sempre penso nisso quando ouço alguém dizer que é "católico não-praticante". Como pode isso?! Não vou responder porque não tenho esta resposta nem pra mim mesmo. Normalmente digo apenas que sou católico. O que é ser praticante? Ir a igreja todos os domingos? Eu sigo a religião, não a igreja.

Pra finalizar, o importante é que você tenha a SUA verdade subjetiva. Se não sabe qual é, tente descobrir. Mas não deixe que "descubram" por você, pois se é subjetiva...

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Deus Existe

A Aposta de Blaise Pascal

"Pascal admitiu que é impossível «provar» que Deus existe -- de fato, afirmou ele, a razão humana é incapaz de provar qualquer coisa com certeza. Para ele, a grande pergunta era se convinha a alguém acreditar na existência de Deus, e sua resposta era que você seria tolo se não acreditasse. A demonstração de Pascal emprega a matemática da probabilidade, que ele ajudou a inventar (ele esperava convencer especialmente seus arnigos aristocráticos, que eram jogadores fanáticos).

No modo de ver de Pascal, a crença ou a descrença que você possa ter em Deus implica uma aposta. Se Deus existe e a Sagrada Escritura é verdadeira, sua crença vai dar-lhe infinita felicidade após a morte. Se Deus não existe, tudo o que você tem a perder acreditando n' Ele são os prazeres finitos de uma vida finita. Mesmo se você acha que as chances da existência de Deus são próximas de zero - Pascal sugere que elas estão perto de 50 % - a única coisa racional que você pode fazer é jogar o jogo. (Em termos matemáticos, qualquer porcentagem finita do infinito é ainda infinito.) Logo, a razão mostra que você deve acreditar em Deus."


Este texto foi usurpado daqui.


A Aposta de Pascal é mais um conselho que uma prova da existência de Deus, mas é muito interessante. Quem já teve algum contato com cálculos infinitesimais deve se identificar com esta "teoria".

Descartes tem uma prova muito mais embasada (não que prove alguma coisa, mas é ainda divertido). Pretendo colocar um texto explicando melhor a prova cartesiana da existência de Deus, mas ela se baseia em três partes:

1ª - a priori pela simples consideração da ideia de ser perfeito;
2ª - a posteriori pela causalidade das ideias;
3ª - a posteriori baseada na contingência do espírito.


Com elas, Descartes tenta mostrar que: primeiramente, se temos a noção de um ser perfeito, é porque ele existe. Tomando o princípio básico de filosofia, de efeito e causa, se temos por efeito a concepção de um ser perfeito, a causa é sua existência. Deus Existe.

Para concluir seu pensamento, Descartes afirma: "...não posso existir, a não ser que seja conservado enquanto existo, seja por mim próprio, se tivesse poder para tal, seja por outro que o possui. Ora, eu existo, e contudo não possuo poder para me conservar a mim próprio, como já foi provado. Logo, sou conservado por outro." Como ele acreditava só poder ser conservado por um ser perfeito, este deveria existir.

Simples assim! :o)

É óbvio que não pretendo que alguém se convença da existência de Deus por estes argumentos. Eu mesmo, por mais discernimento que eu tenha, e por mais "inqueridor" que eu seja, acredito em deus pela FË. Mas a maneira de pensar dos racionalistas é muito interessante...


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Terça-feira, Fevereiro 04, 2003
Só uma correção na letra da Alanis para se enquadrar na minha dura realidade:

I'm broke and i'm not happy....
Cause I've got one hand in my pocket
And the other one is in the mud...

Hand in My Pocket
Alanis Morissete

I'm broke but I'm happy
I'm poor but I'm kind
I'm short but I'm healthy, yeah
I'm high but I'm grounded
I'm sane but I'm overwhelmed
I'm lost but I'm hopeful baby

What it all comes down to
Is that everthing's gonna be fine fine fine
I've got one hand in my pocket
And the other one is giving a high five

I feel drunk but I'm sober
I'm young and I'm underpaid
I'm tired but I'm working, yeah
I care but I'm restless
I'm here but I'm really gone
I'm wrong and I'm sorry baby

What it all comes down to
Is that everything's gonna be quite alright
I've got one hand in my pocket
And the other is flicking a cigarette
What is all comes down to
Is that I haven't got it all figured out just yet
I've got one hand in my pocket
And the other one is giving the peace sign

I'm free but I'm focused
I'm green but I'm wise
I'm hard but I'm friendly baby
I'm sad but I'm laughing
I'm brave but I'm chicken shit
I'm sick but I'm pretty baby

What it all boils down to
Is that no one's really got it figured out just yet
I've got one hand in my pocket
And the other one is playing the piano
What it all comes down to my friends
Is that everything's just fine fine fine
I've got one hand in my pocket
And the other one is hailing a taxi cab...


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A Ópera do Malandro

Eu prometi um post sobre Chico Buarque mas não consiguirei nada a altura. Resolvi que sua própria música lhe será uma homenagem aqui. Esta música que escolhi é mais conhecida pela parcial inserção ao final de Construção. Mas aqui segue a letra toda dela. Uma ironia real, e infelizmente, atual.

Chico sempre foi o poeta popular da música brasileira. Mesmo que não seja "popular", como se convenciona entender a expressão, ele sempre cantou para o povo mais humilde. Sempre cantou os bêbados, os operários, os malandros, os miseráveis, as "mulheres-carpideiras"...


Deus Lhe Pague
Chico Buarque, 1971

Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir
Deus lhe pague

Pelo prazer de chorar e pelo ``estamos aí''
Pela pida no bar e o futebol pra aplaudir
Um crime pra comentar e um samba pra distrair
Deus lhe pague

Por essa praia, essa saia, pelas mulheres daqui
O amor malfeito depressa, fazer a barba e partir
Pelo domingo que é lindo, novel, missa e gibi
Deus lhe pague

Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça, desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes, pingentes, que a gente tem que cair
Deus lhe pague

Por mais um dia, agonia, pra suportar e assistir
Pelo rangido dos dentes, pela cidade a zunir
E pelo grito demente que nos ajuda a fugir
Deus lhe pague

Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscar-bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir
Deus lhe pague


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Segunda-feira, Fevereiro 03, 2003
Hoje é Segunda-Feira

Já é segunda... ;o/
Vai batendo o desânimo da volta a rotina de responsabilidades. Mas faz parte. Lembrei de uma música de começo igual ao título deste post.


Super-Heróis
Raul Seixas

Hoje é segunda-feira e decretamos feriado
Chamei Dom Paulo Coelho e saímos lado e lado
Lá na esquina da Augusta quando cruza com a Ouvidor
Não é que eu vi o Sílvio Santos
Sorrindo aquele sorriso franco e puro para um filme de terror
Como é que eu posso ler se eu não consigo concentrar minha atenção
Se o que me preocupa no banheiro, ou no trabalho é a seleção
(Vê se tem Kung Fu aí em outra estação)


Já na outra esquina dei três vivas ao rei Faiçal
O povo confundiu pensando que era o carnaval
Então eu disse a Dom Paulete: eu conheço aquele ali
Não é possível, dom Raulzito
Quem que no Brasil não reconhece o grande trunfo do xadrez
Saí pela tangente disfarçando uma possível estupidez
Corri para um cantinho pra dali sacar o lance de mansinho
(adivinha quem era? Mequinho!)

Lá em Nova York todo mundo é feliz
Vi o Marlon dançando o último tango de Paris
Pedi cerveja e convenci o garçom do botequim
A não pagar o tal do casco
Ele aceitou pois sou um astro!
E duma cobertura no Leblon
Pelé acena dando aquela
Enquanto o povo embaixo grita: É o Rei,
Pelé despenca da janela
É quando, a 120, o Fittipaldi passa e quem ele atropela
(Meu Deus! Mequinho no chão, mais três velas)

Vamos dar viva aos grandes heróis
Vamos em frente, bravos cowboys
Avante! Avante! Super-Heróis
Ai-oh Silver!
Shazan


Raulzito dizia que todas suas músicas eram críticas. Todas tinham um teor político ou social. Ele afirma nunca ter escrito uma música de amor, por exemplo. Até "Maça", melosa e romantica como é, tem no fundo algum significado mais amplo (não que o amor não seja amplo o suficiente).


A Maçã
Raul Seixas / P.Coelho /Marcelo Motta

Se esse amor ficar entre nós dois
Vai ser tão pobre amor
Vai se gastar

Se eu te amo e tu me amas
Um amor a dois, profana
Um amor de todos os mortais
Porque quem gosta de maçã
Irá gostar de todas
Porque todas são iguais

Seu eu te amo e tu me amas
E outro vem quando tu chamas
Como poderei te condenar
Infinita, tua beleza
como podes ficar presa
que nem santa no altar

Quando eu te escolhi
Para morar junto de mim
Eu quis ser tua alma
Ter seu corpo tudo enfim
Mas compreendi
que além de dois existem mais

Amor só dura em liberdade
O ciúme é só vaidade
sofro, mas eu vou te libertar
O que é que eu quero se eu te privo
Do que mais venero
que é a beleza de deitar

Adimiro isso nas letras da música. A arte de se expressar pela ambiguidade. Calma! Eu sei que o grande mestre nessa arte é Francisco Buarque de Holanda, vulgo Chico Buarque. Mas, este merece um post especial. Aguardem. :o)

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Sábado, Fevereiro 01, 2003
Eu quis prever o futuro


"eu queria ver no escuro do mundo
onde está tudo que você quer
pra me transformar no que te agrada
no que me faça ver
quais são as cores
e as coisas pra te prender"


"Eu quis querer o que o vento não leva
Pra que o vento só levasse o que eu não quero
Eu quis amar o que o tempo não muda
Pra que quem eu amo não mudasse nunca"


Os trechos acima são de músicas de Hebert Viana. A primeira, mais antiga, é Quase um segundo, que além dos Paralamas, também gravaram Cazuza e Gal Costa. Lindíssima. A segunda é uma belíssima letra que consta no "Nove Luas" dos Paralamas, e chama-se Um Pequeno Imprevisto.

Não, não vim pra falar da extraordinária recuperação do Hebert Viana. Nem pra fazer um humor negro do tipo: agora ele pode desafinar a vontade, como sempre fez, que tem desculpa. Nem pra dizer que eu gosto muito das músicas dele e me identifico com ele (talvez por desafinar também).

Só queria, baseado nestes trechos, deixar uma pergunta no ar. Será que se soubessemos sempre o caminho para as coisas que nos fazem feliz, seríamos felizes com estas mesmas coisas?! Parece estranha a pergunta né? Bom, quem entendeu, deixe sua opinião, please.

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"Se você quiser alguém em quem confiar, confie em si mesmo".

Renato Russo, na música 'Mais Uma Vez'