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Terça-feira, Julho 28, 2009
A farsa do IPI reduzido e a farra das montadoras
Quando, no começo do ano, diversos setores da indústria, sobretudo a automobilística, sinalizavam quebras e demissões em massa, o governo federal lançou no país a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). O objetivo apontado pela propaganda era de repassarem esses descontos ao consumidor, estimulando assim as vendas e evitando a recessão.
Mas essa não é a história toda.
De fato, muitos consumidores foram às compras com a propaganda federal. Sobretudo porque se trata justamente disso, de uma PROPAGANDA! Entusiasmados por ela, muitos viram que era a hora certa de comprar, mesmo num cenário de crise que pede prudência econômica. E esse aumento das vendas certamente ajudou a espantar a crise de algumas empresas. Mas você acredita que foi isso o determinante para que grandes multinacionais saíssem do buraco, e evitassem demissões? Acha mesmo que toda a redução no IPI foi repassada ao produto final?
Eu tenho uma história muito pessoal para ilustrar o que quero dizer.
Há pouco menos de um ano, no meio do ano passado, eu, movido pelo novo emprego assalariado, comecei a pensar em trocar o meu carro. Pegar um com direção hidráulica, com motor melhor que o meu, e principalmente flex, o que me daria maior desempenho com mais economia. Ainda que o objetivo fosse esse, tinha lá meus desejos de consumo, e fui atrás de um veículo que, na época, saía por um valor X. Meu carro atual foi avaliado para entrar na troca pela metade de X, aproximandamente. Como a diferença era muito grande, resolvi deixar a troca para outro momento.
Com a propaganda governamental deste ano, e as constantes "promoções" que as concessionárias diziam fazer, pensei ser este o momento, enfim. Voltei à concessionária onde havia feito o orçamento anterior, e pedi uma nova cotação.
Entre um período e outro, o valor cobrado pelo mesmo carro zero, com a mesma configuração, caiu de 4 a 8%. E eu não sei precisar quanto desses, vamos ser otimistas, 8% caíram por conta da redução do IPI, já que antes mesmo da medida do governo, os valores dos veículos já haviam sofrido uma queda.
Legal, de qualquer forma estava mais barato, só que meu usado (atual) também desvalorizou. O que é natural, afinal, com o aumento da procura por novos, o usado perde valor de mercado. O problema é que a desvalorização chegou a 20%! Isso mesmo! 20, 21%... E sobre ele, não houve redução de impostos alguma, foi apenas "mercado".
Então, percebam... O IPI sobre automóveis girava em torno de 7%, até onde sei. O desconto dado nos veículos novos sequer chega a isso (lembrem-se que os preços já haviam caído antes da redução do imposto), e, pela estratégia do plano, ainda passaram a ganhar muito mais em cima do veículo usado (na verdade, pagam menos por ele). E com quem fica toda essa diferença? Quem estava precisando ser salvo?
O que aconteceria se o governo dissesse que daria dinheiro diretamente para as montadoras, como foi feito nos Estados Unidos? E quanto melhor é fazer parecer que o benefício na verdade vai para o consumidor, disfarçando esse auxílio às grandes indústrias?
Nota: acabei tendo que optar por um carro mais modesto do que o que desejava, com valor intermediáro (aproximadamente 3/4 de X). Sei que não paguei barato. Não tanto quando deveria ou poderia. Mas pelo menos não me senti enganado (mentira, me senti sim), e ainda consegui barganhar algumas quirelas, justamente por saber que eles estão ganhando MUITO em cima de cada carro, neste período.
Blogado pelo rapsodo
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